samedi, juin 27, 2009
...
Sem vínculo ou titubeio, mande guela abaixo a aguardente que esganiça seus gemidos e corrobora seus medos e desmistifica seu sono e sufoca seus olhos e mata seu corpo, aos poucos.
Você deve impedir que se impeça ou entender a lógica arbitrária da arbitrariedade ressentida da ordem.
Livre dos mais estranhos pensamentos, encontre-se perdido e se perca. Peque e cuspa e jorre.
Mate, coma, atordoe, engane, trepe. No fim é só isso que você é.
samedi, juin 13, 2009
?
Ela origina tempestades, rompe laços...
E termina num grande e pomposo ponto de interrogação.
mardi, mai 05, 2009
dimanche, avril 05, 2009
Auto-crítica
Reflita sobre si mesmo, veja suas falhas, re-veja , re- flita, aflito, sua realidade re- solvida numa pseudo tentativa de compreender-se. Quede-se atônito! Você não tem nada o que fazer além daquelas promessas vazias de mudança. No fundo você sabe disso. E gosta.
lundi, décembre 22, 2008
Engano
Era uma espécie de descontentamento que o tomava de súbito, sem que, mesmo que no fundo o soubesse, transformasse sua inércia em algo mais do que uma simples sensação de vazio que insistia em ignorar.
Falei mais do que podia ou queria, mas falei o que deveria ser dito, mais ainda do que poderia pensar que um dia conseguiria expressar em palavras. Falei sobre o passado e o presente, e acima de tudo falei sobre as potencialidades de um futuro possível, mas não necessário, ou esperado.
Falei muito e ouvi pouco mais do que sussurros. Suas palavras eram como que sem nexo, defendia-se sem labor ou paixão, apenas por pura e simples reação mecânica, não havia muito de personalidade em suas míseras tentativas de esboçar o que sentia.
Enfim, notei triste que nem a violência o abalava, e muito menos poderia eu exigir isso de alguém tão brevemente inserido em meu mundo. Notei ainda que minhas palavras soavam vazias quando meu interlocutor não passava de uma parede abstrata, pálida e tristemente pintada de cinza.
Mais do que isso, e talvez por um rompante de lucidez que me parecia raro, percebi finalmente que não restara mais em mim sequer resquícios da paixão que me consumia ou do ansioso sentimento de necessidade que me era tão inerente quando nos conhecemos.
Deixei-o sentado na poltrona verde musgo do quarto escuro, e saí de tal forma alterado, num misto de felicidade e decepção, que bati a porta com raiva e desci as escadas correndo.
Da rua, olhei uma última vez para a janela de onde tantas vezes vi passar pessoas felizes invejando sua alegria despreocupada e inconsciente, e notei, lá, de pé, olhando para mim, o rosto que já não me despertava mais nada. Dos olhos escorriam lágrimas espessas, e o rosto de certa forma me pareceu expressar gratidão.
Talvez não fosse o único a achar que aquilo era um engano.
Por Rafael Avansini e André Mesquita
jeudi, décembre 18, 2008
E agradeça esse seu mundo particular e incoerente
cujos paradoxos você esconde e com o qual você macula sua realidade palpável.
Imagine-se longe dessa atmosfera corriqueira que critica
E que reclama ser tão parca.
Entenda suas limitações reais ou por você impostas a ponto de saber de onde vêm.
Grite! Se contrariado, brigue!
Mas compreenda a natural imperfeição do mundo e o singular desvio que você chama de opinião.
Acredite na racionalização das coisas, mas também na magia que se esconde no acaso.
Você criou seu destino ao questioná-lo por capricho.
Conforme-se, agora, ou morra tentando.
As pedras
Vi aquela imagem esquálida equiparar-se às sombras de uma árvore morta na qual se apoiavam resquícios da vegetação parasita que ali nascia. Olhei em volta do musgo que crescia nas pedras, vi o lodo que se desprendia e deslizava na água, arrastado pela correnteza de uma nascente de rio, e os traços verdes de uma podridão viva que ali crescia, amparada pela umidade de suas superfícies lisas, escorregadias, espessas e sem vida.
Inanimadas, mas prontas para ali servirem seu audacioso papel, aquelas pedras matavam sem chegarem ao status de assassinas.
Foi naquela noite que me vi deitado mirando estrelas sem saber que repousava já sobre meu túmulo natural, que pacientemente me aguardava, pronto para exercer sobre a natureza seu papel destruidor. Ouvi um ruído, levantei-me em sobressalto e olhei em volta. Nada com que se preocupar.
Foi quando já tranqüilo caminhei sobre as pedras, escutando a água que por elas passava modelando e afiando-as, como facas. Escorreguei por uma fração de segundos e caí, abrindo em minha testa um corte profundo e perdendo os sentidos, mas não sem antes sentir a água gelada onde caía, submetendo meu corpo às intempéries daquela correnteza que ganhava vida própria.
Ali permaneci, preso em galhos e pedras, alimentando peixes e deixando crescer sobre minha pele enrugada e disforme o lodo que um dia me causou horror. Integrei-me enfim à natureza mórbida do cenário exótico que já fotografei. E voltei finalmente à condição eterna de húmus que me esperava desde o dia em que me conceberam. Parece-me que finalmente entrei em comunhão com o mundo.
samedi, novembre 22, 2008
Tenho pedido...

Tenho pedido um alívio da loucura,
um momento tranquilo,
um segundo ralentado,
um descanso da vida.
Tenho pedido entre lágrimas a folga,
a hora oportuna, o instante singular...
Para pedir calma e compreensão,
desse meu jeito inexplicável,
dessa minha fuga constante,
desse meu modo de ver.
Tenho pedido algo que já não quero,
mas que ambiciono, que suplico...
Tenho pedido um toque de um mundo a que não pertenço e que tenho a chance de chamar de meu. Peço mesmo sem receber....