Perto do abismo.
Ao lado da árvore.
Embaixo da pedra.
Na raiz, na pétala e na sépala da flor.
Ali jazem seus minúsculos corpos de inseto.
mercredi, novembre 15, 2006
Sozinhos no mundo
Minha visão de solidão é simples. É uma pessoa que fuma um cigarro e toma uma cerveja sozinha numa varanda olhando carros passarem pela rua e imaginando como é a vida de seus passageiros, ou que olha um cão abanando o rabo passivamente para o dono implorando por um carinho mínimo, pela dispensa de um gesto atencioso ou qualquer coisa que o valha e, por um momento, inveja de forma dolorosa esse cão e a simplicidade com que encara o fato de ser apenas um cão, que de certa forma humilha-se pela necessidade instintiva de uma demonstração de amor.
Eu sei. Minha visão de solidão não é poética como um velho que morre dormindo em sua cama com olhos lacrimejantes e um passado inteiro de arrependimentos. No entanto, acredito ser a minha versão tão verdadeira quanto qualquer outra, poética ou não.
Minha versão de solidão inclui, como manda o protocolo, um par de olhos lacrimejantes e uma vida de arrependimentos. A diferença no entanto está na pessoa, nas experiências que essa personagem sofredora viveu, no tempo que lhe resta para resgatá-las ou para mudar possíveis novos acontecimentos.
Minha visão de solidão baseia-se na preguiça. Sim, na preguiça. É a visão de alguém sem perspectivas, vontades ou mesmo coragem.
Meu solitário é um preguiçoso, com preguiça de sobreviver a si mesmo e à vida que leva.
É um malandro. Um malandro que cabula a vida como as aulas do colegial.
Vive uma vida insípida. É raso.
Meu solitário se entrega aos vícios por pura falta de atitude, apenas pelo fato de não conseguir ver qualquer motivo para resistir a eles.
É um fracassado. Residiria aí a causa de sua solidão?
Talvez. Mas seria isso realmente importante?
Meu solitário é fraco, e mesmo quando sente-se forte, fraqueja.
Ele é uma espécie de sub-homem. Um farrapo ideológico.
O meu solitário é uma mistura da impressão de auto-suficiência com a dependência permanente.
Ele é um viciado. E não falo aqui de drogas.
Minha visão de solitário é a de um pobre coitado infeliz que procura desesperadamente o amor, a amizade, a cumplicidade, e mesmo quando encontra o que desde o início intentava encontrar, simplesmente não enxerga.
Meu solitário não é apenas dependente dos outros, mas um dependente da dependência dos outros.
Meu solitário é acima de tudo cercado de gente. E aqui se encontra sua maior contradição. Ele é popular.
Eu sei. Minha visão de solidão não é poética como um velho que morre dormindo em sua cama com olhos lacrimejantes e um passado inteiro de arrependimentos. No entanto, acredito ser a minha versão tão verdadeira quanto qualquer outra, poética ou não.
Minha versão de solidão inclui, como manda o protocolo, um par de olhos lacrimejantes e uma vida de arrependimentos. A diferença no entanto está na pessoa, nas experiências que essa personagem sofredora viveu, no tempo que lhe resta para resgatá-las ou para mudar possíveis novos acontecimentos.
Minha visão de solidão baseia-se na preguiça. Sim, na preguiça. É a visão de alguém sem perspectivas, vontades ou mesmo coragem.
Meu solitário é um preguiçoso, com preguiça de sobreviver a si mesmo e à vida que leva.
É um malandro. Um malandro que cabula a vida como as aulas do colegial.
Vive uma vida insípida. É raso.
Meu solitário se entrega aos vícios por pura falta de atitude, apenas pelo fato de não conseguir ver qualquer motivo para resistir a eles.
É um fracassado. Residiria aí a causa de sua solidão?
Talvez. Mas seria isso realmente importante?
Meu solitário é fraco, e mesmo quando sente-se forte, fraqueja.
Ele é uma espécie de sub-homem. Um farrapo ideológico.
O meu solitário é uma mistura da impressão de auto-suficiência com a dependência permanente.
Ele é um viciado. E não falo aqui de drogas.
Minha visão de solitário é a de um pobre coitado infeliz que procura desesperadamente o amor, a amizade, a cumplicidade, e mesmo quando encontra o que desde o início intentava encontrar, simplesmente não enxerga.
Meu solitário não é apenas dependente dos outros, mas um dependente da dependência dos outros.
Meu solitário é acima de tudo cercado de gente. E aqui se encontra sua maior contradição. Ele é popular.
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