Um dia acordou para a vida e viu-se sozinho. Olhou ao redor, examinou as posturas alheias e as suas próprias.
Andou pela rua com um ar renovado, agitado por pensamentos conflitantes e distintos.
Falou pouco naquele dia, e ocorreu-lhe de-repente que quem pouco fala, muito pensa.
Estava ansioso, queria crescer de uma vez e chegar à maturidade em cinco minutos. Era apenas uma criança com barba.
Remexeu em velhos papéis e diários, ouviu CD’s que há muito não escutava mais. Viu-se com saudosismo como se já não fosse mais o mesmo.
Fumou um cigarro com ar de autoridade e esqueceu-se de ser apenas transgressor.
Procurou e facilmente encontrou companhia. E fez sexo sem pudores ou culpa.
Ignorou o sentimento amoroso e sentiu-se aliviado pela idéia de não lhe ser obrigatório esse peso.
Voltou para casa cansado. Sentou-se em frente a um porta retratos de mal gosto que seus pais insistiam em manter à vista.
Olhou para a mãe que interrogava-o displicentemente, como que sem interesse verdadeiro, mas por uma obrigação maternal que lhe era socialmente imposta.
Não precisava de palavras que à ela pareceriam duras e agressivas.
Não quis ofender seus pobres conceitos de mulher provinciana.
Apenas disse-lhe a verdade:
_Sou diferente.
jeudi, juillet 12, 2007
lundi, juillet 02, 2007
Ordem ao Acomodado
Acorda, vai para a varanda e olha os carros que passam.
Olha para o céu, tapa os olhos.
Volta para o quarto decepcionado. Olha ao seu redor e as paredes parecerão claustrofóbicamente ameaçadoras.
Pega um livro. Tenta ler.
Ensaia uma palavra, um gesto significante.
Pega fotos antigas, olha com nostalgia.
Reergue-te. Endireita o corpo.
Analisa a vida e pensa.
Julga-te, abomina a ti mesmo.
Seja forte, seja fraco, seja algo.
Vive, vive!
Ou morre de uma vez.
Olha para o céu, tapa os olhos.
Volta para o quarto decepcionado. Olha ao seu redor e as paredes parecerão claustrofóbicamente ameaçadoras.
Pega um livro. Tenta ler.
Ensaia uma palavra, um gesto significante.
Pega fotos antigas, olha com nostalgia.
Reergue-te. Endireita o corpo.
Analisa a vida e pensa.
Julga-te, abomina a ti mesmo.
Seja forte, seja fraco, seja algo.
Vive, vive!
Ou morre de uma vez.
dimanche, juillet 01, 2007
Diálogo da auto-suficiência
_Eu só queria que durasse mais.
_E quem disse que você decide?
_E porque não?
_Você sabe... Mas, afinal de contas, dure duas semanas ou dois anos, vai doer do mesmo jeito. Aliás, vai doer mais em dois anos.
_Talvez, mas estaria pronto a pagar com muita dor por um pouco mais dessa sensação.
_Você é ridículo. Ele nunca nem sequer disse estar apaixonado.
_Sim, eu sei. Eu sou.
_E então?
_Então o que?
_O que você pretende fazer agora?
_Chorar quando me sentir só, e me enganar pensando que não é pra sempre.
_Ora, e por que seria?
_Eu sei que é.
_Está sendo dramático, fatalista, infantil... Esqueci algum adjetivo?
_Ridículo.
_Pois é, ridículo também. Mas já te disse isso hoje. Odeio ser repetitivo. Espero que entenda.
_Que seja...
_Odeio essa sua passividade diante disso. Você simplesmente vira o rosto pra levar bofetadas. Se entrega muito fácil a essas depressões.
_Sou fraco.
_Exatamente! E, se tem consciência disso, por que num tenta mudar?
_Deixa pra lá. Você não entenderia por que o que me é impossível lhe parece natural. Você imagina em mim preguiça, quando o que me falta são forças.
Você me julga e me condena por algo que não está em mim decidir. Você pode ser forte, mas é covarde!
_Só tento te ajudar. Ingrato!
_Você é arrogante e medíocre. Quem lhe disse que preciso de mais ajuda do que qualquer outro que já tenha sofrido? Você mesmo provavelmente já sofreu com a mesma intensidade e não quis ajuda. Não me subestime.
_Agora vai me agredir?
_Vou dormir antes que sinta mais pena de você do que de mim mesmo. Hoje quero sentir pena de mim. Quero sofrer.
_Vai me deixar aqui sozinho?
_Sim.
_Pois que vá. Como você é ridículo!
....
_Já foi?
_Hein?
_Cadê você?
_Volta!
_Ei, volta!
_Ei, vol,... você pode volt...
_Não preciso de você...
_E quem disse que você decide?
_E porque não?
_Você sabe... Mas, afinal de contas, dure duas semanas ou dois anos, vai doer do mesmo jeito. Aliás, vai doer mais em dois anos.
_Talvez, mas estaria pronto a pagar com muita dor por um pouco mais dessa sensação.
_Você é ridículo. Ele nunca nem sequer disse estar apaixonado.
_Sim, eu sei. Eu sou.
_E então?
_Então o que?
_O que você pretende fazer agora?
_Chorar quando me sentir só, e me enganar pensando que não é pra sempre.
_Ora, e por que seria?
_Eu sei que é.
_Está sendo dramático, fatalista, infantil... Esqueci algum adjetivo?
_Ridículo.
_Pois é, ridículo também. Mas já te disse isso hoje. Odeio ser repetitivo. Espero que entenda.
_Que seja...
_Odeio essa sua passividade diante disso. Você simplesmente vira o rosto pra levar bofetadas. Se entrega muito fácil a essas depressões.
_Sou fraco.
_Exatamente! E, se tem consciência disso, por que num tenta mudar?
_Deixa pra lá. Você não entenderia por que o que me é impossível lhe parece natural. Você imagina em mim preguiça, quando o que me falta são forças.
Você me julga e me condena por algo que não está em mim decidir. Você pode ser forte, mas é covarde!
_Só tento te ajudar. Ingrato!
_Você é arrogante e medíocre. Quem lhe disse que preciso de mais ajuda do que qualquer outro que já tenha sofrido? Você mesmo provavelmente já sofreu com a mesma intensidade e não quis ajuda. Não me subestime.
_Agora vai me agredir?
_Vou dormir antes que sinta mais pena de você do que de mim mesmo. Hoje quero sentir pena de mim. Quero sofrer.
_Vai me deixar aqui sozinho?
_Sim.
_Pois que vá. Como você é ridículo!
....
_Já foi?
_Hein?
_Cadê você?
_Volta!
_Ei, volta!
_Ei, vol,... você pode volt...
_Não preciso de você...
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